Stracchino é um queijo da Lombardia, Itália, produzido desde o século X, sempre no inverno, e tinha o nome genérico de Stracch, que no dialeto local significa cansaço, como os últimos dias do meu amigo que acaba de morrer: Estraquino, nosso Xerife. Desde que tenho memória sempre conheci Estraquino, pintor e cineasta, no sentido de que pintava paredes e gostava de cinema.
Eu era menino e seu vizinho na entrada do Cachorro-Assado; seu irmão Zé Branco era meu colega de escola; sua mãe, Maria Surda, recebia a caridade diária da minha generosa mãe, que também já se mudou da terra e me deixou de herança as outras duas virtudes teologais: a fé e a esperança. Portanto, nestes “Dias de Ira”, sei que “Ringo Não Discute” e que “Os Bons Vão para o Céu”.
Estraquino, já adulto, não tinha documentos. Um dia resolveu se registrar em cartório, escolheu o nome Aldo Pereira de Jesus, porque admirava o ex-primeiro ministro Italiano assassinado Aldo Moro. Naquele tempo se podia fazer essas coisas. Como também se podia fantasiar de Xerife ou cowboy vingador e sair pelas ruas, vestido completamente de preto, arrastando um caixão de defunto.
Eu vi Estraquino desempenhar esse papel, era um artista. Desde cedo pintava os cartazes anunciando os filmes que seriam exibidos no cinema e saía a pendurar as placas nos cantos da cidade. Depois cresceu e se tornou pintor de casas, casou, teve filhos, separou, mas jamais abandonou o seu amor imortal: os filmes de faroeste. Conhecia “tudo” do spaghetti western, o subgênero italiano do Bang-Bang.
Giuliano Gemma era seu ídolo. Recentemente perguntei se ele havia assistido a “Django Livre” de Quentin Tarantino. Ele assistiu, mas me respondeu assim: “Uma porcaria. Onde já se viu faroeste na neve?!” Esse era Estraquino, meu amigo Estraque, que partiu levando o seu último caixão, talvez para encontrar uma fortuna enterrada no cemitério de “Três Homens em Conflito”
Por Adroaldo Almeida, advogado, escritor e político











Achei fantástica esta história.
Digna de uma pequena metragem.
Levou-me à minha infância nas tardes de domingo no Cine Fenix, onde assistia-mos o Bang bang à italiana e outros farwest da época.
Mas esta história do sherif é bem intetessante.
Parabens a Adroaldo.
gostei da história, foi um recado direto pra alguém???
Pelo menos este blog serviu pra alguma coisa. Interessante a história do Aderaldo.