EUA decidiu taxar produtos brasileiros em 25% após investigação do USTR sobre práticas comerciais brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a aplicação do novo “tarifaço” dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Em evento no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (17/7), o petista disse aguardar um posicionamento de Donald Trump sobre o tema, mas alertou que o Brasil “não aceita desaforo” de outro país.
“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, disse.
No final do evento, Lula voltou a falar sobre respeito ao Brasil. “Esse país precisa estar de cabeça erguida porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo”, disse.
Tarifaço contra produtos brasileiros
Na noite da última quarta-feira (15/7), os EUA decidiram taxar alguns produtos brasileiros em 25% após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras.
Após a conclusão da investigação, o governo brasileiro tentou negociar com representantes americanos, no entanto, o diálogo entre as equipes não resultou na reversão das taxas.
O governo do Brasil se pronunciou sobre o assunto e condenou a imposição de tarifas, chamando a medida de desproporcional e inaceitável.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia antecipado a possibilidade de utilização da Lei de Reciprocidade caso as tarifas fossem efetivadas – o que foi confirmado em nota divulgada pela Presidência da República.
“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos
previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, afirmou o texto.
Tarifaço
O governo Lula rechaça os argumentos do USTR e avalia que não há justificativa para a aplicação das sanções econômicas. O Planalto vê motivação política na imposição das taxas.
O governo estima que a taxa vai impactar cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões. Entre os itens que serão afetados, estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e diversos produtos químicos. Outros cerca de 2 mil produtos ficaram fora da decisão dos EUA.
Após o anúncio do tarifaço, a gestão petista afirmou que vai reforçar o Plano Brasil Soberano — criado para socorrer empresas afetadas pelas tarifas. Além disso, avalia, com cautela, adotar da Lei de Reciprocidade. Auxiliares do presidente avaliam formas de implementar a medida sem causar impacto na economia brasileira.
Fonte: Metrópoles










