Não que eu tenha duas caras, mas serei ambíguo ao expor as minhas ideias, ate porque não me apresentaria como um agente de transformação social, tipo salvador da pátria, quando o melhor nisso tudo e nos encontrar através dos meus poucos escritos, desejoso que a vida ao ser um livro e aberto, mesmo como os dos cordéis loquazes, invencionistas poéticos, haveremos de nos deparar em muitas paginas da “lida”.
A vida cotidiana nos impele a uma série de frustrações, a de adulto então… Por isso declino ao falar da minha inocente infância sem traumas e frustrações, quase tudo era lícito, inclusive pegar as tanajuras e enfiar um palitinho no traseiro, criança naquela época falava bunda por ser uma região carnosa do corpo, protuberante ambígua, dois lados que formam as nádegas; Aliás, o Juca Chaves como menestrel poetaço trovador plebeu dizia que a beleza da mulher não está na cara “tanajura”, nesse causo não se brinca com o tal palitinho, factível, mitigável, a agulha da seringa, o fato é que não podia imaginar o drama da tanajura no seu talalar vibratório zumbidor, que hoje como adulto seria “ambíguo” o outro lado do sadismo comportamental, o tal prazer pelo sofrimento do outro, mesmo sendo inseto não se importando se macho ou fêmea, o que também poderia incorrer em sodomia uma página do livro que não escreveria.
Mudando de palitinho pra cacete, me deliciei nessa ambiguidade do olhar carnavalesco, coloquei a fantasia dos meus sonhos, a de palhaço no meio do salão ao som do trio, vara, anzol, isca, partir para uma grande pescaria, naturalmente que não pescaria piranha como nas águas de outros carnavais; cheguei ao parque poliesportivo, e na lagoa coloquei a isca, minhoca no anzol e lancei minha vara na água da sequidão com o olhar do desejo de fisgar o peixão tanajurado da globeleza; tamanha frustração, ao acordar do sonho pude me contentar com o pitéu da globeleza no aquário do meu quarto da ilusão, livre, leve e solto como no talalar da tanajura da tenra inocência, não mais num palito, mas enfiada na frustração da minha plasmática televisão, objeto do desejo estampado, tá na cara ou “tanajura” do olhar da ambição, que mais uma vez traído como gourmet, não degustei desse sushi japonês restando o palitinho ou a vara como isca “ambígua” na mão.
Como nem tudo estava perdido, fui pescar nas águas frias da inocência, mergulhei na infância ao lembrar da farofada que os adultos comiam com manteiga de garrafa em meio a bunda crocante das tanajuras, tá na cara, não satisfazia meu desejo como refeição: aproveito desse epitetismo para agradecer ao Prefeito José Carlos Moura, ao liberar a lagoa, nos proporcionando lazer e entretenimento social, mesmo com a vara minhocada na mão, sem pescar o objeto de consumo “do meu” sonho carnavalesco.
Euélio Rios
Pescando o humor nas águas da vida!












Quando eu era pequeno gostava de brincar com as tanajuras. Esse texto trás de volta a minha infância