O nosso alce empalhado, pertencente ao Museu de Arte e Ciências de Itapetinga, restaurado pelo professor Sérgio Gomes em 2014, pertenceu ao Museu Nacional do Rio de Janeiro, que foi destruído pelo fogo nesse domingo 02 de setembro.
O alce foi adquirido pelo então prefeito José Vaz Sampaio Espinheiro em 1970. O alce pertenceu ao imperador D. Pedro II que tinha uma coleção de animais taxidermizados (empalhados) que foram doados ao Museu Nacional com sua ida para Portugal.
O alce foi empalhado em 1758, século XVIII. Itapetinga tem conservado em seu acervo uma relíquia dentre os mais de 200 milhões de itens que foram pertencentes a um dos mais importantes museus do mundo e que foi destruído pelas chamas do descaso ao patrimônio público cultural e artístico como marca de um governo de desastres e retrocessos.
Por Sérgio Gomes














Parabéns Sérgio, pelo trabalho, pena que essa administração não valoriza ninguém, nao valoriza pessoas
Obrigado Roberto Alves por sua defesa em favor do nosso patrimônio cultural através da imprensa. De fato, o Museu de Arte e Ciências de Itapetinga foi fruto da inspiração do ex-prefeito José Vaz Sampaio Espinheira ao conhecer o Museu Nacional do Rio de Janeiro e a Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Vale dizer que a sensibilidade artística e cultural desse prefeito até então não foi superada por nenhum outro. O museu de Itapetinga foi inaugurado em 1970, fechado em 1995 na gestão do então prefeito Michel Hagge para reformas, mas a reforma não aconteceu. Posteriormente teve seu prédio cedido para o INSS na primeira gestão do então prefeito José Otávio Curvelo e seu acervo passou a migrar de depósitos em depósitos da cidade por 15 anos, período em que muitas peças foram perdidas, estragadas e surrupiadas. Em 2010, na gestão do ex-prefeito José Carlos Moura o museu foi reaberto em caráter provisório reaberto nas dependências do Estádio Municipal com intuito da conservação do acervo até que se tivesse uma edificação definitiva. Isso aconteceu através de um projeto executado pelo então Diretor de cultura Maurício Gomes que teve continuidade na gestão do seu sucessor Eduardo Fiscina durante as gestões educacionais de Alécio Chaves, Eliene Chaves e Sibely Nery. Eu tive a honra de emprestar meu talento no trabalho de restauração de várias peças do nosso museu e não me arrependo do meu empenho em nome de nossa cultura. Fico triste de saber que hoje obras importantes perderam sua originalidade pela ação de imperitos que não sabem diferenciar um objeto histórico-artístico de um ornamento de sala, mas, felizmente existem peças ainda conservadas como o nosso alce que serve como recordação das peças que compuseram um dia o acervo do Museu nacional do Rio de Janeiro.